terça-feira, 9 de agosto de 2011

chega de instabilidade por enquanto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Se tudo a minha volta gira, como é que consigo pregar os dois pés no chão? e meu corpo bambeia desequilibrado de um canto pro outro,mas meu rosto ainda não sentiu a textura desse piso.
Procuro sempre o derrame, a queda, a sofridão que me derrube por semanas, para que assim possa tocar nos dedos uma dor relevante,uma dor que não seja a desse cotidiano.

O cansaço tomou conta do meu corpo, e os pedidos de parada ecoam no meu ouvido fazendo assim que eu diminua minha velocidade aos poucos.
Hoje é dia de tempestade, mas não chove nem aqui nem lá fora.Vejo vultos de guarda-chuvas pretos se atropelando nessa calçada, mas não há uma se quer gota d' água.
Tenho me inclinado para o lado dormente,não me impressionam , não me afetam... e por isso procuro algo pra sentir.Por isso te procuro.
“O que eu começava a escrever como se fosse ela nem precisava ser bom. Nem precisaria ser publicado. Ninguém leria. Era só para dar forma àquela sensação de andar por ruas líquidas e respirar um ar pastoso e dormir noites ocas, era só para saber o que fazer com o céu pastoso quando ele crescia, se avolumava e perigava cair sobre a minha cabeça como uma samambaia que despencasse da varanda.”

sexta-feira, 29 de julho de 2011

“Fugir de si é morrer. Sempre que as crises voltam, relembro-me de sua advertência. A mesma voz, traiçoeira, entre o acolhimento e a opressão. “Recue, ou você não voltará.” Frase que, mais do que preencher um labirinto, é o próprio labirinto.”

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Minhas mãos pequenas estão apertadas e presas envolvidas por uma corda imaginária.
Sim, há uma alma aqui dentro ainda.Mas o corpo está ficando cada vez mais vazio, chegará um dia que não sobrará nada. Sinto algo em mim indo embora sempre, saindo pelos meus olhos, pela minha boca,saindo por tudo que já foi meu.
Tenho que me encaixar rapidamente em algum lugar,tenho que procurar algo que preencha esses vazios. Mesmo que seja algo instantâneo.
Penso sempre que essa onda deprimente me atinge no ócio, somos tão sucessiveis ao tédio...
Tenho me sentindo cada vez mais um ser humano patético que é facilmente envolvido pelos braços da solidão. Eu faço pedidos de socorro discretos todos os dias,ninguém me escuta pois minha garganta doí quando eu falo, não consigo gritar.Estão me deixando sorrateiramente de lado, mas curvar as costas não faz meu estilo. Me mantenho em pé, recolho os pedaços de mim rapidamente. Me mantenho em pé, mas estou de dissolvendo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011


"há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?"

Charles Bukowski

terça-feira, 26 de julho de 2011

Doente de fome


Fome de tudo o que me falta, fome daquilo que parece que está pronto e não vem.
Eu quero respostas alguém tem que tê-las. Esse mundo é tão grande eu me sinto tão pequena e perdida, precisaria só de algumas respostas.

Qual é o segredo desse mundo? O que guarda essas pessoas robotizadas?Quero respostas mas meu corpo está quente demais. Sinto frio, essa cama é fria.
Minha fome não passa, quero sacudir alguém para acordar a minha mesma. Mas e se eu não acordar? quem é que guarda esse segredo?
Eu sei das minhas dores, infinitas porém minhas. Mas não sei das dores dos outros. Isso significa que eu tenho minhas respostas? Sinto muito frio,meu corpo está quente.
Estou doente, ninguém nessa cidade me escuta. Estou doente, ninguém nessa cidade quer me escutar.