segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Meu afastamento é justificativa da repulsa, para não doer e não machucar eu vou embora. É que tenho muito,e me doou muito, mas se não recebo ou recebo demais, meu estômago embrulha e eu tenho que ir embora.Todas essas trocas de energia tem que ser na medida certa, se não, eu me canso, ou então canso as pessoas. O problema é que não acho o encaixe nunca, e sempre me enjoo e aborreço com tudo.O tempo passa e ressalta cada vez mais os defeitos e horrores dos outros e não consigo olhar pra minha própria tragédia.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Não pode ser só saudade
Como eu sinto tão presente uma coisa que não está mais aqui? Isso só existe dentro de mim, e dói e dói.Sentir sua ausência me mata, é tê-lo por perto e não tê-lo pra mim, toda sua ausência é tão presente por aqui.
Como é estranho e difícil sentir que algo está se perdendo, a gente nunca sabe se é pra sempre.
Essas lembranças não me deixam, e as recordações tendem a ficar cada vez mais embaçadas que eu mal consigo me lembrar do seu cheiro de manhãzinha, e isso dói. Perder não é a mesma coisa que esquecer. Perder é pior, é ver uma vida que também era minha, escorregar entre os dedos pra nunca mais voltar.
Penso em você, penso em você lendo essas frases chorosas e confusas e pensando em tantas coisas chorosas e confusas ao meu respeito.Tenho medo.Nosso gostar era tão mutuo, mas tão cheio de solavancos, lombadas,buracos e quedas que deixou tudo o que sentíamos muito ralo, ou raro.Não acho sinônimos.
Caminhos certos ou errados, penso que nos encontramos e isso é o que me importa de verdade. Me dói ter tanto amor guardado, e saber que há tanto amor guardo aí também, mas que as relações e todas essas trocas são confusas e desgastantes.Quero pensar em você, assim, como penso agora, mas sem essa dor no peito, esse quase arrependimento de não ter tentando, de não ter respondido...
E de noite, enquanto espero sua ligação antes tão regulares e pontuais, ouço uma voz descompassada,fora do ritmo e fora de mim dizendo pausadamente :" E se tentássemos,e se..."
Como é estranho e difícil sentir que algo está se perdendo, a gente nunca sabe se é pra sempre.
Essas lembranças não me deixam, e as recordações tendem a ficar cada vez mais embaçadas que eu mal consigo me lembrar do seu cheiro de manhãzinha, e isso dói. Perder não é a mesma coisa que esquecer. Perder é pior, é ver uma vida que também era minha, escorregar entre os dedos pra nunca mais voltar.
Penso em você, penso em você lendo essas frases chorosas e confusas e pensando em tantas coisas chorosas e confusas ao meu respeito.Tenho medo.Nosso gostar era tão mutuo, mas tão cheio de solavancos, lombadas,buracos e quedas que deixou tudo o que sentíamos muito ralo, ou raro.Não acho sinônimos.
Caminhos certos ou errados, penso que nos encontramos e isso é o que me importa de verdade. Me dói ter tanto amor guardado, e saber que há tanto amor guardo aí também, mas que as relações e todas essas trocas são confusas e desgastantes.Quero pensar em você, assim, como penso agora, mas sem essa dor no peito, esse quase arrependimento de não ter tentando, de não ter respondido...
E de noite, enquanto espero sua ligação antes tão regulares e pontuais, ouço uma voz descompassada,fora do ritmo e fora de mim dizendo pausadamente :" E se tentássemos,e se..."
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
“Somei livros aos livros e a soma só deu certa porque os sonhos também
sabem matemática. Tornei-me adulto à força de querer continuar menino,
nos corredores e pátios de luz e penumbra que se cruzam por dentro do
som das palavras. Viajei com elas até ao limite da lembrança da infância
e levei comigo, que a solidão poucas vezes é boa conselheira, a
lealdade e a sabedoria do vento.”
José Jorge Letria in: “Fábula do Vento ou O Sentimento Mágico da Vida”.
José Jorge Letria in: “Fábula do Vento ou O Sentimento Mágico da Vida”.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Penso que é tão fácil me conhecer, é só ler o que escrevo, é só ler meus olhos quando falo.Mas penso também que estou mudando muito, e mentir é uma saída para não compactuar com tudo isso.Quero que fique em mim a parte que mais gosto, mas ela vai embora toda vez que há uma tempestade.Então eu minto e finjo que ela ainda existe em algum lugar só meu, nem que seja um lugar escondidinho, lá na última repartição do peito.Mas não existe.
Me pergunto se isso tudo faz parte do que essas rugas e esse amontoado de anos chamam de amadurecimento, pra mim essa palavra melancólica poderia ser substituída por embrutecimento e só.Se tudo que vejo de flores,estrelas e sonhos é por não amadurecer, se tudo o que não passa pelo filtro da cabeça e tudo que eu vejo de especial nos outros é por falta de experiências.Se tudo o que eu tenho de mais sincero não me serve pra nada....
Mas a a gente não escolhe, aos poucos os girasóis na janela do quarto são substituídos por flores de plástico num arranjo de sala.As estrelas nem vejo mais, esse céu é sempre tão escuro. E os sonhos... ah! o sonhos, que aos pouco vão dando lugar a responsabilidade e sapatos de marca...
Penso que não estou ficando triste e maluca, estou envelhecendo.Amadurecendo.
Me pergunto se isso tudo faz parte do que essas rugas e esse amontoado de anos chamam de amadurecimento, pra mim essa palavra melancólica poderia ser substituída por embrutecimento e só.Se tudo que vejo de flores,estrelas e sonhos é por não amadurecer, se tudo o que não passa pelo filtro da cabeça e tudo que eu vejo de especial nos outros é por falta de experiências.Se tudo o que eu tenho de mais sincero não me serve pra nada....
Mas a a gente não escolhe, aos poucos os girasóis na janela do quarto são substituídos por flores de plástico num arranjo de sala.As estrelas nem vejo mais, esse céu é sempre tão escuro. E os sonhos... ah! o sonhos, que aos pouco vão dando lugar a responsabilidade e sapatos de marca...
Penso que não estou ficando triste e maluca, estou envelhecendo.Amadurecendo.
" - Não há para onde ir, não há. Somos fracos, querido amigo... Eu era
um indiferente, raciocinava com vivacidade e sensatez, mas bastou a vida
tocar-me com a sua brutalidade para desanimar...para esta
prostração...Somos fracos, não prestamos... O senhor também, querido
amigo, o senhor também. É inteligente, nobre, bebeu as melhores
intenções no leite materno, mas mal entrou na vida cansou-se e
adoeceu... Fracos, fracos!"
Contos de Tchékhov, volume 2 - editora Relógio D'água
Contos de Tchékhov, volume 2 - editora Relógio D'água
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
"Dormi umas três horas e acordei ouvindo Quereres, de Caetano. Repeti, várias vezes, cada vez mais alto. Ah, bruta flor do querer. Discutia tanto com Ana Cristina César, antes que ela acolhesse a morte (acertadamente? Me pergunto até hoje, nunca sei responder): nossa necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois sentar Atormentado & Solitário para escrever Belos Textos Literários."
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Delírios

Fiquei triste o dia todo,percebi que não sou nada além de um muro cheio de buracos. Buracos feios,fundos e que necessitam ser preenchidos.
Saio a caça de preenchimentos todos os dias, vezes acho,vezes não.Pra piorar,tudo me dói.Nessa chuva minhas partes quase completas se desfazem, volto pro reboco.
Chorei hoje, ontem e provavelmente chorarei amanha. Mas tenho me sentindo muito mais limpa, sinto que agora posso ver a cor das paredes de minha alma, não que isso faça alguma diferença nessa tempestade.
Queria saber se os patos também são tristes ,só sei que assim como eu tentam inutilmente fazer tudo e nada fazem certo.Claro que são tristes, choram todos os dias, são infelizes no fundo daquelas lagoas paradas e patéticas.Só lágrimas de quem fracassa todos os dias para manter as águas sempre cheias.
Queria me afundar nessas águas, sou tijolo peso muito,afundo fácil.
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