sábado, 23 de abril de 2011

"Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói. Há certas coisas que não podem ser ajudadas. Tem que acontecer de dentro para fora.(...)"

(Rubem Alves, in Sobre o tempo e a eternidade)
Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida. Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer "Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal." E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.


" Não posso mentir a você, não quero. Mas por favor não fantasie, menina, não seja demasiado adolescente. Como eu te escrevi várias vezes, é no nosso encontro, cara a cara, olho a olho, que as coisas vão se definir.
Veja se você consegue separar o sonho da realidade.

... "



não, não consigo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011



"Então eu te disse que o que me doíam eram essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exata. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse."

(Caio F. Abreu)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Minha alma sempre dança enquanto durmo



Ontem eu senti muito frio, a janela ficou aberta a noite toda.
Enquanto sonhava minha alma tentava desesperadamente dizer que estava querendo sair dali, mas relutei tanto e ela se aquietou. O vento batia gelado sob minha pele nua e eu só pensava em fugir, sair daquela cidade cinza. Meus olhos estavam fechados mas eu enxergava cada rua vazia desse bairro, os esgotos sujos os gatos famintos os sonhos perdidos... Queria acordar e não ter que vestir minha máscara de novo,queria respirar fundo um ar que limpasse a alma. Mas eu sempre acordo atrasada, e o tempo sempre corre ,o cinza continua o mesmo.E eu já fechei a janela mas ainda sinto frio.







Finalmente está acabando, a fé está se esvaindo pouco a pouco. As lembranças se perdem entre sonhos tortuosos e eu tento pegar nas mãos a alegria que você me deixou. Não vou chorar, minhas lágrimas serviriam como impulso, como consolo de algo que nunca aconteceu.Enquanto eu acordo cedo e vou dormir tarde por todos esses dias, cheia de livros,cadernos e informações lá está você. Meio perdido entre uma conversa de almoço, súbita lembrança entre um paragrafo ou outro da minha redação. Você está no meu sorriso involuntário ao lembrar que aquilo que me disse aconteceu.Você esteve todos os dias comigo, mas nem um só dia eu estive com você. Isso não é mais tão frequente, seu rosto sorridente já me desaparece os detalhes antes tão vivos na minha memória. Enquanto ajoelho na frente da privada e tento vomitar o que me restou de você suas palavras vagas passam rapidamente no meu ouvido, assim nua e fraca me vejo perdida e doente sem saber ao menos quando isso começou.
"Se os escritores estivessem plenamente satisfeitos com o mundo real em que vivem, não criariam um novo mundo na ficção."
Marcelo Backes.