quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"- O que você fez? - indaga Camille.
- Eu escrevi pra ele, uns dias depois - suspira Luísa.
- Só isso? - insiste a amiga.
- Eu gostaria de ter batido nele naquela noite. Mas foi o que deu pra fazer..."

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)

Antes parecia ser tão mais fácil

Eu não precisava de muito para ter vontade de entrelaçar minha mão e vida na sua. Meu rapaz, esse tempo me deixa tão doente,não me encanto mais com você, o que deixamos escapar?
O peso que carrego já é suficiente para que minhas pernas tremam,e quando se apoia em mim tenho a certeza do chão,meus joelhos gastos imploram o fim.Peço calma, a gente sempre teve tanta calma, o que deixamos escapar?
Sua pequena,hoje tão grande e forte não consegue sair do lugar.Aqui nesse quarto onde sempre foi nosso abrigo, o alojamento do medo e o vácuo do riso tornou-se minha pior prisão.E ninguém me salva,você nunca vem...
E como aceitar que depois do temporal massacraste o lindo arco-íris não é o que eu realmente quero?Não deveria doer tanto,essa nossa entrega nós arranca os pedaços... o que deixamos escapar?

sábado, 3 de setembro de 2011

Foge de mim

Num domingo chuvoso, o amor bateu em minha porta e eu tão cansada para responder...
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Ele que sempre foi tão sensível, nunca mais me procurou. Ando desesperada a procura dele, e o acho aos miúdos, totalmente fragmentado. Tenho juntado seus milhares de pedaços, ando com ele no bolso sempre, mas acontece que eu sou tão distraída que ele se esvazia aos poucos, quando vejo,acabou.

Explico, ando cansada e peço para que não cobre tanto de mim.Mas meu amor não se comove por ninguém, é mesquinho e audacioso foge sempre quando pode, e aparece só quando vê fogo.É fogo.
A paciência tem me ajudado, pega na minha mão e me ajuda a recolher os pedaços largados.Ela tem me ajudado, me guia para um caminho mais limpo sem fragmentos de vidro espalhados pelo chão. Mas eu tendo pro caminho do corte, da dor instantânea e curável.
Peço ajuda, e ele volta. Cuida de mim o quanto pode, e quando pode. Ele sabe que vou sempre estar a sua procura, ele sabe que quero mesmo é juntar todos os fragmentos e guarda-los só pra mim.Ele pensa que sou egoísta, não entende que guardo-lo do mundo é protege-lo.

domingo, 28 de agosto de 2011

O cheiro da canela,um chá a meia noite e um motivo para ficar


Meu corpo tão domável, hoje dopado de alegria me locauteia aos poucos.E tudo que há em mim, coloca-me vagorazamente na cama . Minha mente transfunde o travesseiro e juntos colocamos em ordem os cheiros,a música no parque o olhar no elevador, o choro as 9 da manha, a dor de cabeça que demorou a passar,a roupa e dia de amanha,o passarinho,o medo, a voz engraçada,o filme novo,a vizinha chata, e a nostalgia ao entardecer...
Apagaram as luzes dentro de mim, mas algo ainda está acordado.A reserva que tenho aparece sempre em momentos de desespero,mas quando há calmaria não consigo decifrar como cheguei até esses textos melancólicos.Onde guarda tanta dor uma menina desse tamanho?. Passou, já passou mas,existe um espaço vago dentro de mim que necessita se preenchido antes que eu formate novamente.Jogaram um livro inteiro no lixo, apaga-lo daria muito trabalho. Meu olho pesa,é hora da minha alma passear...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

-Eu fui tão boa um dia...acabou tudo


- Ainda permanece,você sabe


-Essas coisas bonitas andam se escondendo ultimamente


- Você anda se escondendo em mim ultimamente

domingo, 21 de agosto de 2011

Minha alma andou discreta sob as ruas dessa cidade na última noite, meu corpo doí.Sinto uma moleza que derruba-me pouco a pouco,membro por membro. No meu corpo permaneceu a moldura da cama gelada, e na cama a moldura do meu corpo gelado.
Todos esse gestos de luta são dispensavéis, e quem só olha a beleza da vida tem me evitado ultimamente.Mentir a dor para suportara realidade lutuosa é sinonimo de decadência espiritual.
O meu corpo dolorido se fez das tentativas fracassadas de fuga da alma, ela bate nas camadas de concreto que existe na saída da vida. Tudo é confuso, não há nada palpável para que eu possa suportar esses ventos,meu corpo nú treme.
É que quando esfria tudo doí mais, e quando esfria ela me diz que meus textos são deprimentes.Mas eu choro frequentemente, ela não entende que a mandante é a alma, eu não escolho, eu não escrevo, ela sabe de tudo. Mas quem aguenta as dores do corpo,os olhares justiceiros, as palavras cortantes e a falta de voz sou eu,pois ela se ausenta,encolhe-se ao no pouco de ser que me resta.Ela escapa toda noite, ela me deixa sozinha...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Pensei em fazer um pedido, era meu aniversário. Mas não tinha nada para pedir. As coisas vivas, pensei, as coisas vivas não precisam pedir."