sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Por que os amores, ou melhor, os falsos amores os quais denominamos de paixões não são mais passiveis? Tento observar a linha tênue entre paixão e auto-destruição, às vezes me escapa uma ou outra diferença mas em  resumo ambas não se fazem discretas, por fora talvez sim, mas por dentro agem como tempestades e quebram portas e janelas sempre.
Porém desejo não ser reconstruída novamente, pois toda mudança e remanejamento de móveis deixam algo se perder ou escarpar e nunca mais se recupera. Por isso, peço com todas minhas forças que esse falso amor não arranque minha alma, peço com os olhos, que seja passivo e paciente e tenho esperanças que  me  entenda.
Todo esse encantamento e todas essas palavras tendem a me derrubar, e sei que não durará pra sempre por isso meus pés se fixam no chão e me coração bambeia de um lado pro outro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ainda mastigando um pedaço de carne mal passada levantei da mesa aborrecida, vivia num cubículo cheio de animais quase  racionais, me aborrecia sempre, com tudo. A presença do mais velho me incomodava, sua mastigação era o som mais irritante que existia, e ecoava pela sala inteira. 
Não há mais amor, eu bem que tentei convencê-la  porém seus olhos se entristeciam e salgavam sempre. Desisti. Seus gritos finalmente cessaram mas sua dor não, ela acumulou-se no seus ombros frágeis e tortos. Alguém me disse que ela já nascerá torta, e predestinada ao erro, hei de discordar pois Nena nunca soube a verdade, escolheu ,talvez inconscientemente, mas escolheu o caminho da dor.
Essa mistura de ghost, deu a luz a solidão. Daí vem tanto aborrecimento, vivia sozinha, tinha amigos mas era só. Almejava amar, mas eu canso-me de tanto erros e desisto, era torta, ainda sou...
 Culpo meus pais e todo esse ambiente de aborrecimento. A dor está dentro de mim, dentro da carne que mastigo, eu a sinto porém continuo mastigando até desfarelar. Sou sólida, fiquei sólida, mas choro por horas pra ver se me desfaço. No fundo sei que se existe culpa pertence a mim, e cabe no meu bolso, e que isso é só mais solavanco na minha vida. Ela sabe, ele sabe, mas eu os culpo.Assim me pesa menos em mim. Sou torta, nasci da solidão, é justificável tanto egoismo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Querido, talvez já seja tarde demais, mas há uma coisa que eu queria te falar e já faz algum tempo. Às vezes, ou melhor, quase sempre que falo contigo eu desejo secretamente porém de coração, que sua cabeça exploda em mil pedaços. É isso.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"Eu te divirto, mas eu te canso"

Cansada de começar e terminar relações, cansada de tantas doações desnecessárias e acho que todo ser humano já se sentiu alguma vez assim, cansado.Me pergunto para onde foram as coisas naturais e os sorrisos espontâneos, tudo que me resta me lembra a dureza.Já não me sinto bem nesse lugar, ninguém tem o que eu preciso,como se o que eu pedisse fosse muito.
Eu canso todo mundo...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Paraíso perdido é ali


Todas as ondas de Angra dos Reis me habitaram, cada movimento do mar tirou dor por dor do meu corpo desajeitado. Pouco importava as mazelas do mundo e das pessoas, lá no paraíso perdido minha alma lavou-se infinitas vezes.Na água gelada daquela cachoeira eu deixei meu lado mais sombrio,o lado mais sujo e pedi para mãe natureza purificar tudo que fosse meu.Purificou. As noites me chamavam pra um céu cheio de luz, sem estrelas só almas felizes brilhavam naquele breu, e meu corpo suplicava por só mais uma dança.Senti o frio das madrugadas no paraíso, mas não era um frio que cortava era frio que acolhia, tinha um peito quente para me servir de abrigo e as noites passaram-se arrastadas até o nascer do sol...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estou com uma vontade incontrolável de afundar meus dedos nos seus cabelos,aqueles rentes a nuca. Quero consertar a gola da da sua camisa antes de você sair de casa, quero tê-lo em casa.Ajudá-lo a tomar o café forte demais, o chá ruim demais ou aquela torrada que nunca ficava dura demais.Traga-me de volta nossa última canção, sua sensibilidade tamanha e todos seus gestos cautelosos.Não quero fazer  um desses textos  melancólicos, mas tudo que trago nele se resume a saudade.

E há de se acreditar que me deu um click de consciência? desses que me dão sempre, e que interrompem qualquer pensamento no meio. Aconteceu que enfeitamos tanto nossas vidas naquela época que fica difícil separar peça por peça. Por isso, quando me falta algo tento preencher com histórias do passado,aquela nossa vida e todos nosso sonhos, daí, me vem a mente que nada mais cabe aqui.
Triste, triste, poderíamos ter passado sem passar esse caminhão por nós, mas passou.... e nada que ficou foi verdade,nem um simples café muito menos minha saudade.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Fora das vezes em que quase morri para sempre, quantas vezes num silêncio humano - que é o mais grave de todos no reino animal -, quantas vezes num silêncio humano minha alma agonizando esperava por uma morte que não vinha. E como escárnio, por ser o contrário do martírio em que minha alma sangrava, era quando o corpo mais florescia. Como se meu corpo precisasse dar ao mundo uma prova contrária de minha morte interna para esta ser mais secreta ainda. Morri de muitas mortes e mantê-las-ei em segredo até que a morte do corpo venha, e alguém, adivinhando, diga: esta, esta viveu.
Porque aquele que mais experimenta o martírio é dele que se poderá dizer: este, sim, este viveu."

(Clarice Lispector in: Morte de uma baleia - Clarice na cabeceira - crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2010)