sexta-feira, 29 de abril de 2011


“Queria que você pudesse ouvir as coisas exatamente como elas são, os barulhos em volta, a minha voz, a entonação da minha voz, as pausas, a rapidez ou a lentidão ao respirar. Mas nós sabemos que nunca é assim. Que qualquer coisa que eu diga ou faça sempre será uma invenção, não é possível reproduzir a realidade, apenas recriá-la, você costumava dizer, você gostava disso, essas frases que você repetia para os teus alunos.”


(Carola Saavedra in: Paisagem com dromedários. Ed. Companhia das Letras, p. 71)

quinta-feira, 28 de abril de 2011






Como eu queria agora ir para a sua casa, deitar na sua cama, ouvir a sua voz, esquentar meu pé na sua batata da perna.

T.B

quarta-feira, 27 de abril de 2011




O cheiro daquela casa me remetia a infância que, embora não fosse uma fase repleta de recordações belas e agradáveis ainda assim me trazia saudade. A verdade era que eu tinha medo daquele local, pois sabia que em fusão da minha imaginação exacerbada e ilusões não promissórias, aquelas paredes de quadros mágicos iriam derreter-se ao poucos;sim já sabia.
Mesmo moldada de desesperanças entrei na sala um pouco apreensiva, algo no meu estômago queria voar,porém como já feito milhares de vezes antes, engoli à seco a ansiedade e matei todas( quase todas) borboletas no meu estômago.

Ele como sempre atencioso com suas próprias palavras e com sua própria vida, contava entusiasmado sobre detalhes daquela casa construída à base de sonhos.As frases que me dizia faziam o menor sentindo naquela hora , ele não tinha a sensibilidade de perceber meu mundo estava desabando e eu não tinha a sensibilidade de entrar no mundo dele.

Impaciente, sentei no sofá o qual trazia muitas histórias e as quais eu não estava interessada em saber,porém sorri quando ele contou que aquele lugar onde eu acabará de sentar era o predileto do seu cão.

Pedi um copo d' água ,não estava com sede e para ser sincera já estava me afogando à algumas horas.Respirei fundo e ele perguntou se eu estava bem. Algum momento se passou e me perdi num plano de silencio e lembranças confusas. Estava tão concentrada no chão daquela casa que foi meu abrigo por tempos, e o mesmo chão que me servirá de apoio estava se abrindo a cada passo, a cada palavra. Definitivamente não estava bem, como gesto espontâneo sorri e balancei a cabeça, a mesma que agora estava tão mais pesada pois a máscara que carreguei por anos estava caindo sem que eu pudesse impedir.

Para onde foram minhas palavras? eu não conseguia nem responde-lo, muito menos prestar atenção no que me dizia. Foi preciso chegar naquele local para perceber mais uma vez que meu mundo não estável, e que nunca foi.

Eu, que sempre tentei convence-lo de que estava certa , encontrei-me ali sem argumentos,sem fé e nua de esperanças.Ele não entendeu meu silêncio, eu nunca entendi as verdades dele,logo me vi no direito de me abstrair daquele momento.

Pode ser que tenha acontecido várias coisas nesse meio tempo,porém em mim só ficou um vácuo de memórias.Passei dias sonhando com nosso encontro e com aquela casa, talvez dias não mostre a verdadeira intensidade e talvez seja exagero,embora eu saiba das noites que ele me veio a cabeça e as manhas que passei sem conseguir tira-lo. Nessas noites eu desenhei cada gesto e fabriquei essa casa, a mesma que vi cair à minha frente.

Ele me importava tanto antigamente, essa casa era tão bonita... eu não entendo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011



Estou tentando te perder no meio de conversas engraçadas, ou histórias de finais de semana. Me dedico no exercicio de não ter tempo de pensar no que eu poderia ser, pois eu estou sendo agora. No meio de livros de gramática, história da arte e geo-politica eu tento preencher o espaço que você me deixou,e estou tentando desesperadamente me convencer que isso está certo, e que só o tempo ou a falta dele irá sossegar esse anseio de você. Evito aquelas músicas que sempre repetem mil vezes o refrão na nossa mente... Tento evitar momentos prolongados de risada pois pensarei logo em te contar o quanto aquilo foi engraçado, mas eu não tenho tempo e você também não tem tempo para isso, e logo esqueço. Tenho andado rápido sem reparar nas cores das casas, pois eu sei que você faria isso junto comigo. Estou suprindo sua falta nos abraços amáveis de amigos que embora sintam a ausência de algo em mim, mal imaginam o que seja. Evito conversas prolongadas no telefone, pois eu nunca sei o que dizer e sei que você também não saberia, o que deixava tudo tão mais fácil...Acredito que com o coração calmo e o tempo acelerado eu consiga reconstruir o pedaço que me foi roubado, mesmo que seja aos poucos, mesmo que for preciso de muito tempo,muita chuva,muitos livros e talvez alguns remédios para dormir.
"A língua travava de vontade de mudar todo o discurso pronto e dizer apenas a verdade. Mas qual era a verdade? Então seguia fingindo. A vida inteira. Estudou um monte de coisa que se embaralhava na sua frente, mas fingia acreditar que aquilo a levaria para algum lugar. Um lugar com novos amigos e novos amores, talvez. Talvez essa fosse a verdade que purificaria tanta coisa sem sentido. Mas também não era isso porque, com esses amigos e amores, Ritinha seguia fingindo. De fingir estudar passou em tudo que fingiu se importar. De fingir curtir as festas e os amigos e aquilo tudo, Ritinha vivia em álbuns felizes e acabava feliz. De fingir amar, acabou chorando e doendo e escrevendo tantas coisas bonitas. Ritinha seguia fingindo o tempo todo. Às vezes, com medo de morrer soterrada por tanto teatro, Ritinha segurava firme no fundo dos olhos de alguém e dizia: a verdade é que, a verdade é que. E a pessoa, caso fosse assim como Ritinha, uma pessoa especial (porque quem procura essa verdade sempre é) só dizia: eu sei, eu sei. E era isso.Qual o caminho mais rápido para a minha cama, o silêncio, o escuro. Ritinha abraça as pernas, como criança, e se diz baixinho: não dá pra saber a verdade, não dá pra parar a cabeça, nada parece realmente o que é, hoje eu não disse o que realmente queria, aquelas pessoas não sentem aquilo que demonstram, eu pouco me importo com 70% dos preenchimentos do meu dia, mas é preciso chegar até amanhã. É preciso chegar. "


RESUMIRAM MINHA VIDA...

sábado, 23 de abril de 2011

Escrever é tão limitante que às vezes também me sufoca, porque eu não consigo transmitir em palavras tudo que me trava a garganta.O que no meu peito arde,o que nele doí ninguém consegue sentir.O minuto que quase morri, a explosão de felicidade as pernas moles... O que acumula dentro do meu corpo nem sempre é ruim, mas tenho uma vontade incontrolável de mandar tudo para fora, para que assim haja espaços para coisas novas, e esse circulo não para.


"Quantas vezes tenho vontade de rasgar o peito e estourar o crânio vendo que somos tão pouca coisa uns para os outros! Ah! o que trago em mim de amor, - alegria, calor e embriaguez só de mim depende, não me poderá ser dado por outrem; e, o coração transbordando de felicidade, não poderei fazer feliz esse outrem, se Ele permanece frio e sem força diante de mim."

(Goethe, in Os Sofrimentos do Jovem Werther)